Denis Diderot

PRÉ-VESTIBULAR déspotas iluminados, soberanos filósofos ou déspotas esclarecidos, como Catarina II da Rússia e Frederic...

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PRÉ-VESTIBULAR

déspotas iluminados, soberanos filósofos ou déspotas esclarecidos, como Catarina II da Rússia e Frederico II da Prússia devido às reformas que visavam ao bem-estar de seus súditos e as liberdades que concediam. Segundo o Iluminismo, apenas a razão aliada ao método científico, poderia fornecer as verdades elementares que seriam as bases do progresso do conhecimento. A difusão paulatina dos ideais iluministas de valorização da razão e da liberdade acabou por divulgar os novos ideais filosóficos liberais centrados no indivíduo. Nada surpreendente, então, que o Iluminismo fosse ferrenhamente contrário aos dogmas religiosos e políticos em geral; de maneira inevitável, o pensamento iluminista se colocaria contra as tiranias monárquicas, vistas como governos que usurpavam direitos que, naturalmente, pertenciam ao povo.

Liberalismo

filosofia ao mundo para o comércio e usava a somente a própria iniciativa para alcançar seus objetivos, destoava de todo um período anterior onde os homens colocavam-se subservientes ao pensamento religioso. Então, como uma reação natural à ordem anterior de coisas, vários pensadores se mobilizam no esforço de dar sentido àquele mundo que se transformava. Surge um ponto fundamental do pensamento liberal quando é concebida a ideia de que o homem tinha toda sua individualidade formada antes de perceber sua existência em sociedade. Para o liberalismo, o indivíduo estabelecia uma relação entre seus valores próprios e a sociedade. Além de construir uma imagem positiva do indivíduo, o liberalismo vai defender a ideia de igualdade entre todos. O direito que o homem tem de agir pelo uso da sua própria razão, segundo o liberalismo, só poderia garantir-se pela defesa das liberdades. No aspecto político, o liberalismo vai demonstrar que um regime monárquico, comandado pelas vontades individuais de um rei, não pode colaborar na garantia à liberdade, pois a vontade do rei subjuga o interesse social, impedindo os princípios de liberdade e igualdade. O pensamento liberal reinou hegemônico até o início do século XX. As mudanças trazidas pelas duas revoluções industriais, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa de 1917, e mais tarde, da Quebra da Bolsa de Nova York em 1929, fizeram com que a doutrina liberal entrasse em declínio. Mais recentemente, já próximo ao final do século XX, surge o neoliberalismo, resgatando boa parte do ideal liberal clássico.

Pensadores Iluministas Leitura no Salão de Madame Geoffrin, Leminnier, 1755.

Liberalismo é o nome dado à doutrina que prega a defesa da liberdade política e econômica. Neste sentido, os liberais são contrários ao forte controle do estado na economia e na vida das pessoas. Em outras palavras, o liberalismo defende a ideia de que o Estado deve dar liberdade ao povo, e deve agir apenas se alguém lesar o próximo. No mais, em boa parte do tempo, as pessoas são livres para fazer o que quiserem, o que traz a ideia de livre mercado. O liberalismo surgiu da concepção de um grupo de pensadores imersos na realidade da Europa dos séculos XVII e XVIII. Vigorava ainda a filosofia do absolutismo em praticamente todos os governos europeus, pois o rei, como legítimo representante de Deus na terra, teria natural primazia sobre todos os assuntos que envolvessem a nação. As ideias iluministas vão gradualmente implodir tal sistema de excessiva intervenção do Estado, auxiliadas pelo espírito empreendedor e autônomo da burguesia, abrindo espaço para outras possibilidades na relação entre os homens e o mundo. O burguês, que se lançava 50

Filosofia

Denis Diderot 1713 D.C. 1784 D.C.

Denis Diderot foi um filósofo e escritor francês. É conhecido por ter sido o cofundador, editor chefe e contribuidor da Enciclopédia, junto com Jean le Rond d’Alembert. Hábil escritor, o enciclopedista francês nasceu em Langres, na região francesa da Champagne,

filosofia um dos símbolos do Iluminismo e foi um dos ideólogos da Revolução Francesa. Filho de um mestre de cutelaria de boa posição, estudou com os jesuítas, iniciou a carreira eclesiástica e chegou a receber a tonsura em 1726. Estudou em Paris onde se graduou em artes. Ainda estudou leis, literatura, filosofia e matemática, até ser contratado pelo produtor Andre Le Breton para traduzir uma enciclopédia inglesa, a Cyclopaedia, do inglês Ephraim Chambers. Ateu e materialista, a partir deste ponto passou a trabalhar ao lado do matemático e filósofo d’Alembert, e organizou uma enciclopédia que pretendia reunir todo o conhecimento científico e filosófico da época, e que fosse o veículo das novas ideias contra as forças, para ele reacionárias, da igreja e do estado, e que destacasse os princípios essenciais das artes e das ciências. Por essa razão os iluministas também são conhecidos como “enciclopedistas”.

Capa original da Enciclopédia

Esta Enciclopédia, planejada juntamente com d’Alembert sob o título Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (Dicionário de Ciência, Artes e Ofícios), foi uma das primeiras enciclopédias, tendo sido publicada na França no século XVIII. Os últimos volumes foram publicados em 1772. Esta grande obra, compreendendo 35 volumes, 71 818 artigos, e 2 885 ilustrações, foi editada por Jean le Rond d’Alembert e Denis Diderot. Muitas dos mais notáveis iluministas franceses contribuíram para a obra, incluindo Montesquieu, Voltaire e Rousseau entre outros.

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Voltaire

1694 D.C. 1778 D.C.

François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês. Conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio, é uma dentre muitas figuras do Iluminismo cujas obras e ideias influenciaram pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Revolução Americana. Escritor prolífico, Voltaire produziu cerca de 70 obras em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de vinte mil cartas e mais de dois mil livros e panfletos. Foi um defensor aberto da reforma social apesar das rígidas leis de censura e severas punições para quem as quebrasse. Um polemista satírico, ele frequentemente usou suas obras para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas do seu tempo. Ficou conhecido por dirigir duras críticas aos reis absolutistas e aos privilégios do clero e da nobreza. Por dizer o que pensava, foi preso duas vezes e, para escapar a uma nova prisão, refugiou-se na Inglaterra. Durante os três anos em que permaneceu naquele país, conheceu e passou a admirar as ideias políticas de John Locke. Voltaire foi um pensador que se opôs à intolerância religiosa e à intolerância de opinião existentes na Europa no período em que viveu. Suas ideias reformistas acabaram por fazer com que fosse exilado de seu país de origem, a França. O conjunto de ideias de Voltaire constitui uma tendência de pensamento conhecida como Liberalismo. Exprime na maioria dos seus textos a preocupação da defesa da liberdade, sobretudo da liberdade de pensar, criticando a censura e a escolástica, como observamos na seguinte frase, escrita por Evelyn Beatrice Hall como Filosofia

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